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O futebol feminino tem uma história de luta contra a discriminação e o veto em diversos países, e o Brasil e o Reino Unido são dois exemplos emblemáticos dessa realidade. Desde os primeiros passos da modalidade, as mulheres enfrentaram barreiras sociais, políticas e culturais para conquistar seu espaço nos gramados.

O Brasil, em 1941, durante o regime de Getúlio Vargas, promulgou o decreto 3.199, que proibia não apenas a existência de associações femininas no esporte, mas também a prática do futebol pelas mulheres. A justificativa era de que o esporte poderia ser “incompatível com as condições de sua natureza”, uma alegação que também foi usada por outros países, incluindo o Reino Unido.

No caso brasileiro, a proibição durou impressionantes 38 anos, até sua revogação em 1979, mas apenas em 1983 o futebol feminino foi devidamente regulamentado. Mesmo com a proibição, muitas mulheres não deixaram de jogar e encontraram formas criativas de driblar a lei, como se vestir como homens ou jogar em locais privados.

Na Inglaterra, durante a Primeira Guerra Mundial, as mulheres assumiram um papel ativo no futebol enquanto muitos homens serviam no exército. Contudo, após a guerra, a Federação Inglesa de Futebol proibiu os jogos femininos nos campos afiliados, alegando preocupações com a saúde e a fertilidade das mulheres.

Essas proibições também se estenderam a outros países europeus, como Alemanha, Bélgica e França. Na Alemanha Ocidental, o futebol feminino profissional foi proibido entre 1955 e 1970, sob o pretexto de que o esporte era “incompatível com a natureza da mulher”. Na Bélgica, a proibição durou até 1970, quando pressões internacionais e dos próprios jogadores levaram à criação de seções femininas nos clubes.

A luta pelo direito das mulheres de jogar futebol não se limitou à Europa. No Paraguai, um decreto de 1960 também proibia as mulheres de praticar o esporte, alegando que isso poderia afetar sua fertilidade. A medida só foi revertida mais de 30 anos depois.

Apesar de muitas dessas proibições terem sido suspensas ao longo dos anos, o futebol feminino ainda enfrenta desafios significativos. A falta de investimento e estrutura são algumas das formas modernas de “veto” que dificultam o desenvolvimento e a representatividade do futebol feminino em diversos países.

A história do futebol feminino é uma jornada de superação e resistência, onde mulheres de diferentes culturas e nações lutaram para serem reconhecidas e respeitadas como jogadoras. A atual situação do esporte no Brasil, com a seleção feminina buscando seu espaço em um país dominado pelo sucesso da equipe masculina, é um reflexo das adversidades enfrentadas pelas mulheres ao longo dos anos.

Neste cenário, é fundamental que governos, federações esportivas e a sociedade em geral continuem trabalhando para garantir a igualdade de oportunidades no esporte, apoiando e investindo no futebol feminino, de modo que as futuras gerações de jogadoras possam competir em igualdade de condições e alcançar o sucesso que tanto merecem. Afinal, o futebol é um esporte para todos, independentemente do gênero.

 

 

Com informações da BBC. 

 



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