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Contratação mais cara da história do Al Hilal, Neymar poderá fazer a tão esperada estreia no duelo contra o Al-Riyadh, nesta sexta-feira (15), às 15h (de Brasília), pelo Campeonato Saudita. Após ser bastante festejado pela torcida na apresentação, o craque terá o desafio de manter um dos clubes mais ricos do mundo no topo do futebol asiático.

O Al Hilal pertence ao Fundo de Investimento Público (PIF), que tem como comandante o príncipe herdeiro saudita Mohammad bin Salman, dono de uma fortuna estimada em 25 bilhões de dólares (cerca de R$ 132 bilhões).

Por conta disso, Neymar verá que a cobrança por resultados é bastante alta. É o que explica o técnico Rogério Micale, que treinou o clube árabe em 2021 e comandou o jogador na seleção brasileira durante o título olímpico, em 2016.

“Nós achamos que só no Brasil o povo é fanático por futebol porque não conhecemos outros lugares do mundo. O Al Hilal tem a condição de trazer qualquer jogador do mundo pela questão financeira. O cara só recusa uma oferta se não quiser morar no país ou participar da cultura. Mas da mesma forma que se dá, se cobra. Eles gostam de ganhar, mas exageram um pouco. Qualquer oscilação de resultados já causa um transtorno para quem está dentro do clube, a pressão é gigantesca principalmente em rede social”, disse ao ESPN.com.br.

O técnico brasileiro viveu isso no comando do Al Hilal por 13 partidas (oito vitórias, um empate e quatro derrotas). Apesar de liderar a Liga Saudita, ele foi demitido por ter classificado o time na segunda posição na fase de grupos da Champions League Asiática.

“Você não tem o direito de perder três jogos de forma seguida, eu mesmo não perdi. Mesmo assim, faltando quatro jogos para o fim da competição, nós rompemos o contrato porque a pressão foi muito grande na diretoria. Corremos risco na Champions e isso custou o meu emprego”.

Além de lotar o próprio estádio, a torcida do Al Hilal, a maior da Arábia Saudita, costuma ser presente nos jogos fora de casa.

“É como se fosse um grande clube do Brasil. Todos os estrangeiros que passam pela Arábia têm uma cobrança grande e precisam corresponder rapidamente, porque as cifras são altas e eles te medem por isso. Você precisa estar bem sempre e resolver pelo seu clube”.

“Tem que ganhar título o tempo todo. Eles cobram para você vencer tudo porque montam um elenco para todas as competições”.

No final da última temporada, quando foi vice-campeão do Mundial de Clubes, o clube passou por uma enorme reformulação no elenco após perder a Liga Saudita. Além de Neymar, foram contratados vários nomes de peso do futebol europeu, como o goleiro Bono, o zagueiro Koulibaly, os meias Rúben Neves e Milinkovic-Savic, e os atacantes Mitrovic e Malcom.

Com isso, Jorge Jesus precisará saber rodar o elenco para não ter problemas de gestão.

“Eles estão emprestando jogadores para outros clubes da primeira divisão pagando um salário até maior, só para abrir espaço para os estrangeiros poderem jogar. A concorrência interna será forte, será uma dor de cabeça para o Jesus colocar o time em campo. Existe um pouco de vaidade nessa região, é algo cultural”.

No entanto, o brasileiro deverá ser bem recebido por um dos astros da equipe. “O Salem (Al Dawsari), um dos maiores jogadores da história do clube da seleção saudita (autor de um gol na vitória sobre a Argentina na Copa do Mundo de 2022), é muito fã do Neymar. É até engraçado. Ele terá o carinho dos jogadores, que terão seu ídolo jogando ao lado”, disse.

Muito dinheiro em um país fechado

Com um orçamento altíssimo, o Al Hilal não atrasa salários, algo comum em vários clubes da região, e costuma ser bastante generoso nas premiações. Além disso, oferece um luxuoso avião particular para os jogadores e a comissão técnica durante as viagens durante as partidas fora de casa.

“O presidente é muito ativo e faz o elo entre o clube e o príncipe. Em jogos importantes, eles chegam até mesmo a triplicar no vestiário o valor em dinheiro que estava estipulado antes. Eles também gostam de dar relógios e canetas em ouro como presentes aos jogadores”.

Micale alerta que Neymar precisará tomar alguns cuidados especiais para manter a forma. Como o Al Hilal treina apenas uma vez por dia durante o período noturno devido ao forte calor, o craque terá que fazer exercícios complementares com um personal trainer em casa.

“Neymar tem muito a oferecer porque tem apenas 31 anos. O impacto da chegada dele é gigantesco, é o maior nome da Liga Saudita. A torcida espera algo muito grande dele, com atuações como sempre teve. Ele pode virar um grande ídolo, mas se as coisas não acontecerem, será uma pressão enorme”.

Fora de campo, o jogador terá que viver e um país com uma forte cultura islâmica e um governo autoritário que busca melhorar a imagem para o mundo por meio do esporte.

“Não se pode beber, fazer festas e tem restrições para o lazer. Mas existem várias áreas internacionais que você pode levar uma vida mais livre. É muito diferente do Brasil, as mulheres andam de burca, precisa respeitar isso. Muitas coisas são proibidas e você leva chibatada se descumprir. Nós somos estrangeiros e precisamos nos adaptar. Vamos ver como ele irá se portar porque alguns não aguentam e querem ir embora”, disse o treinador.

O alto investimento feito pelo país no futebol faz com que o nível dos clubes melhore a cada temporada. “A ideia deles é fazer frente ao Campeonato Inglês, que é o maior do mundo atualmente. O Hilal foi vice do Mundial e venceu o Flamengo na semifinal. Alguns acharam que foi uma zebra, mas quem conhece a Arábia Saudita sabe que não foi”.



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